O autismo pode ser definido como um transtorno que acomete a sequência e a qualidade do desenvolvimento infantil. É caracterizado por alterações sociais e de comunicação e pela presença de interesses fixos, restritos e intensos e comportamentos repetitivos. É o terceiro maior distúrbio da infância e não tem cura, porém intervenções precoces e intensivas, fundamentadas em análise do comportamento, têm demonstrado efeitos significativos no desenvolvimento de crianças com esse diagnóstico. No Brasil não existem estudos publicados descrevendo os efeitos desse tipo de intervenção no desenvolvimento de crianças brasileiras com autismo. A explicação para isso pode ser a não realização desse tipo de intervenção em função do alto custo financeiro, já que esta requer muitas horas semanais de estimulação, realizadas por profissionais especializados. Uma alternativa para a aplicação da análise do comportamento para intervenção precoce no autismo seria a capacitação de cuidadores (pais, parentes ou empregados) para a realização desse tipo de intervenção. Um Centro educacional de Belo Horizonte vem capacitando cuidadores de crianças com autismo para a realização de intervenção intensiva fundamentada em análise do comportamento. O objetivo desse estudo é analisar os dados produzidos por este Centro, de 2010 a 2014, referente à capacitação de cuidadores para a intervenção intensiva de 30 crianças com autismo entre 1 e 8 anos de idade. De maneira específica pretende-se: descrever a sistemática da intervenção realizada pelo Centro; analisar os procedimentos, as avaliações, os protocolos de registro e os prontuários das crianças atendidas; analisar os efeitos da capacitação dos cuidadores no desenvolvimento das crianças com autismo atendidas. Esse estudo pode ser importante para ampliar as investigações a respeito da aplicação da análise do comportamento no tratamento precoce do autismo, no contexto brasileiro.